Trinta anos da Escola Municipal de Música de Nilópolis
Weberty Bernardino Aniceto forma talentos da música e oferece aulas para todas as gerações

Tradicionalmente cantada em alemão, francês ou italiano, a ópera já tem como primeira barreira o idioma, o que a torna uma arte elitizada. Um cantor de ópera negro que se forma em uma escola de música pública na Baixada Fluminense é algo tão raro quanto ter aulas desta técnica que ensina como trabalhar a impostação da voz no momento do canto.
David Monteiro, então morador de Nova Iguaçu, teve oportunidade de estudar canto na Escola Municipal de Música Weberty Bernardino Aniceto, em Nilópolis, no ano de 2007. “Eu entrei para o curso de canto, inicialmente com o professor Kreslin de Icaza, tenor do Theatro Municipal, e depois estudei com a professora Jaqueline Gomes”, afirmou Monteiro.

Atualmente, Monteiro é bacharel em canto pela Universidade Federal do Estado do Rio (UniRio), na classe da professora doutora Carol MC Davit, e parabenizou a EM de Música pelos 30 anos completados em 20 de setembro. Nesta data, houve a comemoração pelo aniversário da Weberty Aniceto e uma homenagem ao maestro Jorge de Paula, idealizador desta que foi a primeira escola de música pública na Baixada Fluminense.
Descoberta da ópera
“Eu tinha estudado canto na Igreja Batista onde congregava e depois busquei professores particulares. Mesmo assim, percebi que precisava me aperfeiçoar. A professora da Weberty, Jaqueline Gomes, foi fundamental pra mim. Com seu carinho e dedicação, me fez apaixonar mais ainda pela área do canto”, contou Monteiro.
Ele descobriu a ópera quando assistiu, em 2009, ao concerto do coro do Theatro Municipal interpretando Réquiem, de Verdi. “Simplesmente saí do concerto sem palavras, chorava como nunca, e foi a primeira vez que eu vi que era possível viver de música”, afirmou ele, que iniciou o mestrado na The University of Southern Mississippi, nos EUA, mas precisou parar e voltar ao Brasil.
A mudança de vida pode ser de dona de casa e costureira para clarinetista e professora deste instrumento musical. Liduina Carvalho, ao levar os filhos para estudar na escola de música, acabou decidindo se dedicar à área também. “Minha entrada na escola de música deu uma virada na minha vida totalmente, porque era uma dona de casa que só cuidava do lar, dos filhos, marido e da fé, porque, a princípio, minha ideia e dos meus filhos era somente tocar na igreja.”

Liduina voltou a estudar. Fez as aulas da Educação de Jovens e Adultos (EJA), para pessoas com 18 anos ou mais que não cursaram o ensino médio. Ao terminar, decidiu tentar o Exame Nacional de Ensino Médio (ENEM), que é a principal porta de entrada para o ensino superior. Ela passou para a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde seus filhos já cursavam música.
“Tive que parar de costurar porque o curso era integral, vendia trufas para manter minha estadia na faculdade. Em 2017, comecei a dar aulas em curso de extensão em música na própria universidade e passei a viver somente de música, algo que faço até hoje”, recorda com orgulho.

Seu filho, Daniel Carvalho, também optou por um instrumento musical de sopro, o trompete. “Descobri o trompete com o professor Jorge Leite, já falecido, que integrou a Orquestra Sinfônica Nacional. “Ele foi uma grande inspiração para mim. A escola foi muito mais que um espaço de estudo, foi onde encontrei direção e oportunidade. De lá segui para concursos e hoje sou músico do Exército Brasileiro há 4 anos”, afirmou ele, que possui bacharelado em trompete na UFRJ.
Além da carreira militar, o trompetista se apresenta em concertos, eventos e ensina trompete a novos músicos que queiram trilhar o mesmo caminho. “Entrei na escola aos 13 anos. Antes, já cantava e tocava flauta doce no colégio com a professora Késia Siena e também na igreja. A Escola Weberty Bernardino foi a porta de entrada para tudo que vivo hoje como músico. Ela me deu base, confiança e fez nascer em mim a vontade de seguir na música para sempre”, contou o nilopolitano criado em Mesquita.

A música ajudou milhares de alunos de diversas formas. A avó de uma aluna, Geisa da Costa, afirmou que a neta, diagnosticada com deficiência no cérebro nos primeiros dias de vida, parou de ter crises convulsivas quando entrou para a escola de música. “Ela precisou vir para cá por conta de uma deficiência que ela teve. Os médicos disseram que ela não iria andar e nem falar, mas hoje ela faz de tudo”.
Geisa da Costa garantiu que a escola estava ajudando na melhoria da saúde física, cognitiva e emocional da menina. “Desde que ela veio pra cá, aos 9 anos, nunca mais teve crise convulsiva. A música ajudou. Hoje minha neta toca violino e flauta, me emociono”, relatou.
Comemoração dos 30 anos
Há 30 anos, surgia em Nilópolis, na Baixada Fluminense, a primeira escola municipal de música de toda a região. No último dia 20 de setembro, integrantes da banda da Escola Municipal de Música Weberty Bernardino Aniceto se apresentaram para o prefeito Abraãozinho David e outras autoridades e também homenagearam o idealizador do projeto, o maestro Jorge Paula. Em 2025, a professora de teoria musical, canto e regente de coral, Jacqueline Gomes Lira, assumiu a direção da instituição.
Atualmente, os 10 professores dão aulas para 300 alunos. São oferecidas aulas de piano, teclado, canto, violino, clarineta, saxofone e flauta transversa. “Temos aulas teóricas de musicalização para crianças e idosos, teoria musical, percepção musical e história da música. Caso queiram ter prática de conjunto, podem integrar a banda ou coral da escola”, enumerou a professora Jacqueline Lira, formada pelo Conservatório Brasileiro de Música e pós-graduada em musicoterapia na mesma instituição.
Participaram da festa ainda o deputado estadual Rafael Nobre, o deputado federal Ricardo Abrão, o presidente da Câmara de Vereadores, Jorge Scalise, o secretário de Cultura, Antônio Costa, e o ex-professor da escola de música, José Expedito Velozo. Antônio foi o cerimonialista do evento.
Jacqueline Lira explicou como são divididas as aulas. “Primeiro os estudantes começam fazendo, pelo menos, um semestre de teoria musical e depois podem juntar a teoria com a aula prática. São no total 6 semestres de teoria e 5 de prática”, afirmou, acrescentando que muitos se formam músicos e vários retornam como professores.
Foi o caso do professor de violino da escola, Anderson Bruno Azevedo. Ele estudou na escola de música e retornou como concursado. Graduado pela UFRJ, com bacharelado em violino e licenciatura em música, atualmente ensina o instrumento e musicalização infantil, na qual se inclui o coral infantil. Este ano, no dia do aniversário de Nilópolis, 21 de agosto, as crianças encantaram o público cantando uma canção nativa neozelandesa.
Ao final do curso básico de três anos, o aluno sai com o diploma, que é aceito e reconhecido pelas mais diversas instituições. Com o canudo, muitos alunos cursaram as universidades, puderam ser músicos independentes ou abriram as portas para a carreira militar, ao prestarem exames para músicos na Marinha, Exército, Aeronáutica, Corpo de Bombeiros e Polícia Militar.
SERVIÇO:
Aulas são nos seguintes dias:
Segunda-feira: teoria, musicalização infantil e violino;
Terça-feira: teoria, piano, teclado, clarineta,
Quarta-feira: 3.ª idade, seresta, canto, coral e saxofone.
Quinta-feira: teoria, piano, teclado, clarineta e banda.
Sexta-feira: teoria e piano.
Aulas teóricas:
Musicalização infantil – a partir dos 7 anos.
Curso básico de música – a partir dos 11 anos.
Musicalização para terceira idade.
Documentos necessários
Certidão de nascimento ou identidade.
Comprovante de residência.
Comprovante de escolaridade ou comprovante de que está estudando.
Duas fotos 3/4.
Endereço
A Escola Municipal de Música fica no Ciep 136 – Professora Stella de Queiroz Pinheiro, na rua Est. Dr. Rufino Gonçalves Ferreira.
















